segunda-feira, julho 03, 2006

Pela ponte... até à Rainha


"A ponte é uma passagem... para a outra margem" cantava Luis Portugal, nos Jáfumega.
Sabendo eu, que não podemos sequer planear ou projectar mais obras "privadas", rejeitei mais uma ponte...!


Amanhã dia 4 de Julho é o dia da cidade de Coimbra, feriado portanto, e hoje foi dia de trabalho. Pronto... mais ligeiro, admito !
Existe um programa variado para estes dias - cultural, desportivo e religioso.
Este último releva-se à padroeira da cidade, em culto que adquiriu uma importância maior com a canonização de Isabel de Aragão em 1625.




Olho para a sua imagem, fixa no mosteiro de Santa Clara a Nova ou caminhando em profundo compasso durante a visita em procissão á cidade, e sinto uma emoção especial. Dela, vem a amizade, a partilha e o acolhimento aos mais pobres. Um verdadeiro milagre para os nossos dias.
É muito interior a minha devoção áquela que foi Rainha de Portugal e se tornou Rainha Santa. Acompanha-me como uma amiga, como uma fonte de inspiração para a vida.




Noutro mundo, encontro-me com outras emoções. Mais passageiras, mas intensas no momento.
O Hino Nacional cantado muitas vezes. O golo que dá a vitória.
A alegria misturada entre as gentes conhecidas e desconhecidas. E pelo que aconteceu no último jogo, vem-me á memória uma cantiga :

"Espectáculo


Quando tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou
atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar "

De : Sérgio Godinho


5 comments:

Blogger Maria said...

Vou ocupar um pouco do teu espaço com uma transcrição do livro de Maria Rattazzi de q te falei em tempos, "Portugal de Relance",Antígona. As descrições reportam-se às últimas décadas do século XIX.
"O convento de Santa Clara conserva a sua fisionomia original e característica. Coube-me a boa sorte de visitá-lo a 3 de Julho, dia da festa anual da rainha Santa Isabel, cujos restos mortais ali repousam.(..) As festas religiosas reflectem sempre as tendências peculiares aos países onde se celebram. A procissão de Santa Isabel ressuscita, durante uma hora, as velhas tradições e conduzem-nos mentalmente à existência retrospectiva, de que nos separam longos séculos. Toda a população acotovela-se na azinhaga estreita, orlada de sebes floridas, que conduz ao convento. Raparigas de pele queimada pelo sol e olhos negros como estrelas de azeviche assomam à porta das choças de um aspecto sórdido. Velhos de camisa alva como a neve cruzam com rapazes de gravata encarnada a apertar-lhes o pescoço robusto, e mendigos passando através dos grupos enchem abundantemente os alforges de moedas de cinco réis. Ao longe as tochas brilham, ressoa o som estrídulo do pífaro, a procissão caminha, serpente ondulante, por entre a multidão curiosa. (..) Chega à Universidade precedida pelos guardas e alabardeiros de fardas azuis e encarnadas, agaloadas, e chapéu de três bicos, preto, marchando atrás da música assobiada pela nota aguda dos figles. (..) A procissão chega à igreja. Os sinos repicam festivamente, sabendo no entanto velar os sons que se insinuam na alma sem arranharem o tímpano, enlaçando-se, como um eco celeste, às melodias do orgão. (..) Silêncio! O ruído cessa: um cântico eleva-se, uma melopeia extática, ritmo de uma estranha melodia suave e originalíssima, e corre como um fio de ouro bordando arabescos caprichosos, cambiantes, imprevistos, em que os tons maiores e menores sucedem-se, fundindo-se como um sorriso emperlado de lágrimas, produzindo-me impressões verdadeiramente indefiníveis! Fecho os olhos. O culto feudal, a Idade Média com o seu cortejo de santos presididos pela Virgem, aparece evocada pela minha fantasia. Afigura-se-me que penetrei num país ignorado e l
uminoso (...)" (pp.387/388)

Há mais, mas não quero tornar-me fastidiosa.
Um beijo para ti e aproveita bem o dia da tua cidade.

terça-feira, julho 04, 2006 11:11:00 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Achei lindo o que acabei de ler. Doce. Beijos.

quarta-feira, julho 05, 2006 12:28:00 p.m.  
Blogger Lúcia said...

gostava de ver a procissão das velas e o fogo de artifício, quando aí morava. da varanda, claro.
e fiz o trajecto, vestida de anjinho, com um calor de morrer.
saudades de Coimbra!

quinta-feira, julho 06, 2006 6:06:00 p.m.  
Blogger Leonor C.. said...

Coimbra tem um encanto especial.Cada recanto, cada monumento,trazem-nos à mente recordações dum tempo passado que fez a nossa história.

Tem um bom fim de semana.

sábado, julho 08, 2006 7:43:00 a.m.  
Blogger ivamarle said...

adoro este tema do Sérgio, costumo cantá-lo com as manas ;-))

quarta-feira, julho 26, 2006 12:47:00 p.m.  

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