sexta-feira, junho 16, 2006

O horizonte da vida


O que está para lá do fio do horizonte ?

O pastor no deserto pergunta á Lua, nos versos de G. Leopardi "Canto notturno di un pastore errante dell'Asia"

Muitas vezes, qunado eu te olho
Estar assim muda sobre o deserto plano,
Que, no seu giro longínquo, ao céu confina;
Ou com o meu rebanho
Seguir-me viajando passo a passo;
E quando olho no céu arder as estrelas;
Digo pensando para mim:
Para quê tantas candeias ?
Que faz o infinito, e aquele profundo
Infinito sereno ? Que quer dizer esta
Solidão imensa ? E eu que sou ?

Somos verdadeiramente seres frágeis, nesta existência infinita. Que realidade é esta que tantas vezes se esquece ou não se procura. Por paixão perante a sua evidência, procuram-se respostas para um enigma intemporal e porventura o maior de todos os tempos : Saber quem somos e para que existimos.
Tantos têm sido os escritos que procuram o sentido da vida.
Procurar essa realidade tal qual ela é, creio que sim. Observá-la sem preconceitos nem medo de fazer um juízo individual. Ouvir a voz das coisas antes de ouvir a voz dos outros. Olhar cada coisa com firmeza, sem desviar os olhos e imaginar aquilo que pensamos ou desejamos estar lá.

10 comments:

Blogger Isa Maria said...

"Saber quem somos e para que existimos" é um dilema que durará eternamente e que nos há-de fazer perder a cabeça.

sábado, junho 17, 2006 11:47:00 a.m.  
Blogger Maria P. said...

Gostei de conhece este recanto no horizonte.

sábado, junho 17, 2006 1:43:00 p.m.  
Blogger Maria said...

O universo sempre lá esteve e estará. Nós ... somos apenas uma pequena partícula à deriva nesse espaço infinito. Frágeis? Somos sim. Mas na nossa fragilidade podemos ser determinados. "Saber quem somos e para que existimos". As questões filosóficas nunca foram o meu forte. Sei que "sou". Que "existo". Que tenho q lutar pelo q quero. E que um dia tudo acaba, tb sei! Às vezes demasiado cedo, outras demasiado tarde. Felizmente não há certezas qt à partida.
Tenho uma certeza tb: a de que gosto de passar por aqui. :-)
Beijos para ti amigo

sábado, junho 17, 2006 10:47:00 p.m.  
Blogger Concha Pelayo/ AICA (de la Asociación Internacional de Críticos de Arte) said...

Oir la voz de las cosas. Escucharlas.

Oler la fragancia de las flores y el miedo de los otros cuando están solos.

domingo, junho 18, 2006 7:56:00 p.m.  
Blogger margusta said...

Olá Luis,
...quem dera ter respostas...

Não as temos, mas existem coisas que sentimos sem sabermos explicar...eu sinto que estamos aqui por algum motivo e que tudo faz sentido e se encaixa, embora nem sempre o queiramos entender...

Esta vida aqui tem um horizonte, mas para lá do fio do horizonte algo nos espera...isso eu tenho a certeza..sinto-o como e porquê!?..não sei!...

Obrigada pelo teu ultimo comentário, gostei muito!

Um beijo e uma boa semana.

segunda-feira, junho 19, 2006 12:10:00 a.m.  
Blogger isabel mendes ferreira said...

....e quem dera que mais "humanismo existisse para que o horizonte da vida fosse um pouco mais límpido....



gostei. muito.

abraço.

segunda-feira, junho 19, 2006 7:16:00 a.m.  
Blogger Madalena said...

Lindo, Luís!!!! A fragilidade é aterradora!!!!! Beijinhos

segunda-feira, junho 19, 2006 9:15:00 p.m.  
Blogger Licínia Quitério said...

Eu diria "ouvir a voz das coisas por dentro da voz dos outros". É a procura, Amigo, que nos vai fazendo o caminho.
Licínia

terça-feira, junho 20, 2006 2:40:00 p.m.  
Blogger Leonor C.. said...

Algumas vezes a vida parece não ter mais horizonte. Temos de inventá-lo.

quarta-feira, junho 21, 2006 8:31:00 a.m.  
Blogger Leonor C.. said...

"Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura."


Carlos Drummond de Andrade
.....
A vida é uma dádiva, a vida é um mistério, a vida é um milagre.Mas também é um enigma. As interrogações são comuns a toda a gente.Como tu dizes,devemos manter-nos atentos à voz das coisas porque tudo tem a sua mensagem. Até as flores nos falam de Deus!

Beijinhos

quarta-feira, junho 21, 2006 7:50:00 p.m.  

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