Hoje ... e não amanhã
«Não, hoje, não, amanhã, também não. Talvez na semana que vem, mas não sei. É difícil conseguir arranjar tempo.»
Quantas vezes ouvimos conversas deste género ?
Estamos no tempo, mas não temos tempo.
Temos de correr, andar, fazer coisas, adquirir talentos cada vez mais novos para calar o rumor dos dias, dos meses, dos anos que vão passando e que não podemos deter de forma alguma.
Depois, um instante antes de morrermos, talvez vejamos num lampejo a nossa vida e, ao vê-la, aperceber-nos-emos de que os únicos instantes verdadeiramente nossos, verdadeiramente cheios, foram aqueles em que pudemos ter «perdido tempo» para contemplar uma flor, a forma de uma árvore, ou acariciar a cabeça de uma criança que ia a passar ao nosso lado.
Susanna Tamaro "Cada palavra é uma semente"-Editorial Presença - Pág. 19
Dali, ao lado, o som traz-me esta canção :
Cielo e mar! l’etereo velo
Splende come un santo altar.
L’angiol mio verra dal cielo?
L’angiol mio verra dal mare?
Qui l’attendo; ardente spira
Oggi il vento dell’amor.
Ah! quell’uom che vi sospira
Vi conquide, o sogni d’or!
Nell’aura fonda
Non appar nè suol nd monte.
L’orizzonte bacia l’onda!
L’onda bacia l’orizzonte!
Qui nell’ombra, ov’io mi giacio
Coll’anelito del cor,
Vieni, o donna, vieni al bacio
Della vita e dell’amor ...
Ah! vien
(Andrea Bocelli - Cielo e Mar)
A fotografia é de autoria de José P Andrade. Retirei de uma página muito interessante : pbase.com


6 comments:
Tocaste num tema que me é muito caro. O tempo e o seu aproveitamento. Passamos a vida inteira a correr, passamos uma grande parte do nosso tempo a tentar atingir metas que nós próprios nos atribuímos ou que pensamos que temos forçosamente que atingir. E depois não vemos, ou passamos ao lado de coisas verdadeiramente importantes. Estou a lembrar-me que qd as minhas filhas nasceram, o meu marido andava ocupadíssimo com trabalho (contabilidade ... compreendes!!!). Passava pela maternidade a correr, preocupado q estava com prazos a cumprir e metas a atingir. Depois lembro-me tb que enquanto os nossos filhos crescem , estamos nós, pais, numa fase de consolidação das nossas vidas. Numa fase de tentar consolidar a nossa situação financeira e laboral. São os 28, 30, 35 anos. E o crescimento dos nossos filhos passa-nos muitas vezes ao lado. Eles querem ir ao jardim, querem brincar connosco ao fim do dia, querem a nossa atenção, e nós ocupados q estamos com a nossa progressão, não os acompanhamos. Muitas vezes, apenas qd avós, é que nos "vingamos" do tempo q não passámos com os nossos filhos.
Fazemos tudo a correr na vida, só colocamos no nosso pensamento as metas materiais e esquecemo-nos de quão importantes são as pequenas grandes coisas.
E para acabar, que isto já quase parece um post :-)), acrescento apenas uma frase da Laurinda Alves no XIS de hoje. "Ver com olhos de ver implica desistir de não procurarmos onde não estamos e de nos vermos como não somos" Não me perguntes o q é q isto tem a ver com o teu post, eu apenas acho q está muito verdadeiro este pensamento.
Um beijo para ti amigo e um bom domingo
Desculpa, deste vez não fiz a correcção do q escrevi e depois ... claro q saiu qq coisita mal.
A frase é:
"Ver com olhos de ver implica desistir de nos procurarmos onde não estamos e de nos vermos como não somos".
Sorry!!!!!!!!!
olá Luis.
o meu tempo agora é de férias e mar, de silêncio e de confusão.
eu gosto é de silêncio e de contemplação. e de estar sozinha.
mas vim aqui :)
Nunca deixes para amanã o k deves fazer hoje!!!
Determo-nos nas pequenas coisas simples de olhar uma flor, ver o mar, ver os passarinhos que debicam as migalhas, acariciar a cabeça de uma criança, sorrir ao sol, rejubilar pela saúde de quem amamos, milhões de 'coisinhas miúdas' que fazem com que o nosso tempo seja nosso. Beijos.
os anos foram-me ensinando a dar cada vez mais importância a esses pequenos instantes que nos enchem a alma. E quanto mais o faço, mais pacificada me sinto...
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