Padroeira do Reino
Fato castanho - religiosamente poupado, corrente de ouro segurando o relógio de bolso. Chapéu de abas.A solenidade do dia era grandiosa.
"A padroeira do reino", dizia em palavras travadas pelos músculos da face.
Mesmo depois da doença, que para além de dificultar os movimentos, lhe impedia a clareza na voz, o caminhar tentava ser o mais altivo possível. Digno de um humilde servo de tão gloriosa rainha.
Não era homem possuidor de riquezas materiais.
A família numerosa - 8 filhos ( 2 mulheres e 6 homens ) obrigava a que todos, desde muito jovens, fizessem do trabalho a sua escola de vida.
Mantinha a tradição de honrar a palavra de El-Rei D.João IV, consagrando Portugal e os Portugueses á Virgem Nossa Senhora da Conceição.
Era assim o avô que não conheci - da mesma forma que não fui feliz em conhecer qualquer um dos restantes (avós e avôs). Encontrei no entanto alguns adoptivos, que muito enriqueceram o meu coração, e a quem estou eternamente grato.
Conta minha mãe, que correria a década de quarenta.
Quatrocentos anos depois, mais ou menos, do dia 8 de Dezembro de 1646.
Hoje, e através desta oportunidade, sou um ser insignificante perante o sentido e a devoção de outrém.
Fica contudo o registo.
(Tomando por referência a cidade de Coimbra, observo que o mesmo soberano ordenou que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus)

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