quinta-feira, dezembro 08, 2005

Padroeira do Reino

Fato castanho - religiosamente poupado, corrente de ouro segurando o relógio de bolso. Chapéu de abas.
A solenidade do dia era grandiosa.

"A padroeira do reino", dizia em palavras travadas pelos músculos da face.

Mesmo depois da doença, que para além de dificultar os movimentos, lhe impedia a clareza na voz, o caminhar tentava ser o mais altivo possível. Digno de um humilde servo de tão gloriosa rainha.

Não era homem possuidor de riquezas materiais.
A família numerosa - 8 filhos ( 2 mulheres e 6 homens ) obrigava a que todos, desde muito jovens, fizessem do trabalho a sua escola de vida.
Mantinha a tradição de honrar a palavra de El-Rei D.João IV, consagrando Portugal e os Portugueses á Virgem Nossa Senhora da Conceição.
Era assim o avô que não conheci - da mesma forma que não fui feliz em conhecer qualquer um dos restantes (avós e avôs). Encontrei no entanto alguns adoptivos, que muito enriqueceram o meu coração, e a quem estou eternamente grato.
Conta minha mãe, que correria a década de quarenta.
Quatrocentos anos depois, mais ou menos, do dia 8 de Dezembro de 1646.
Hoje, e através desta oportunidade, sou um ser insignificante perante o sentido e a devoção de outrém.
Fica contudo o registo.

(Tomando por referência a cidade de Coimbra, observo que o mesmo soberano ordenou que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus)