terça-feira, novembro 29, 2005

Rumor de vida


“Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro.

Uma Lua quente de Verão entra pela varanda,

ilumina uma jarra de flores sobre a mesa.

Olho essa jarra, essas flores,

e escuto o indício de um rumor de vida,

o sinal obscuro de uma memória de origens.

No chão da velha casa a água da Lua fascina-me.

Tento, há quantos anos, vencer a dureza dos dias,

das ideias solidificadas, a espessura dos hábitos,

que me constrange e tranquiliza.”




Virgílio Ferreira
in “Aparição”

7 comments:

Blogger Leonor C.. said...

Sim, por vezes é tão doloroso vencer a dureza dos dias...

terça-feira, novembro 29, 2005 9:25:00 a.m.  
Blogger Lúcia said...

Belo.
A água da lua,.... gostei!

terça-feira, novembro 29, 2005 11:20:00 a.m.  
Blogger Anna^ said...

Vim agradecer a visita e a prenda :)

Uma boa semana....bjokas ":o)

terça-feira, novembro 29, 2005 12:12:00 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Muito belo! Diria mesmo divinal! Se eu um dia escrevesse assim! Gostei de te visitar hoje, pela 1ª vez...

terça-feira, novembro 29, 2005 5:22:00 p.m.  
Blogger Maria said...

Também por vezes me costumo sentar numa sala que agora está vazia mas ainda há poucos anos era habitada pela minha mãe. Nesses momentos quase que a vejo ainda a falar ao meu lado, quase que a oiço chamar pelo meu nome. Mas o rumor da vida está apenas nas minhas recordações.
Beijos grandes.

terça-feira, novembro 29, 2005 6:16:00 p.m.  
Blogger mfc said...

Um poema amargo,mas verdadeiro,ao jeito que Virgílio Ferreira nos habituou.

quarta-feira, novembro 30, 2005 6:18:00 p.m.  
Blogger Mitsou said...

É isso mesmo. Um sentir, na dureza dos dias, de hábitos e ideias que nos constrangem mas que, comodamente, também nos tranquilizam. A vontade de partir sem sair do mesmo lugar.

Beijinho e bom feriado.

quinta-feira, dezembro 01, 2005 12:20:00 p.m.  

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