domingo, novembro 27, 2005

Maky


Também houve uma presença felina...

Final de tarde de Setembro, ao rolar numa das rotundas mais movimentadas da cidade.
Um carro que se desvia para a esquerda outro para a direita, perante tal bailado apurei os sentidos e encaro com um bichano no meio da estrada.
O automóvel deslocou-se lentamente, como uma manta protectora, e protegeu a indefesa criatura.
Sai fora e olhei em volta, ajoelhado procurei debaixo do carro. Nada.
De repente, uma voz gritou-me : - Em cima da roda traseira !
Foi aí o seu refúgio, em cima do pneu da roda de trás.
No meio daquele mundo de buzinas e alguns impropérios, estava eu e um gatinho que me parecia menor que o tamanho da minha própria mão.
Não era um lugar seguro para estar parado. Na verdade o risco foi grande naquela hora de ponta.

- Gatito, vais ter que ir na mala ! Segura-te bem !

O seu estado físico era muito fraco.
No segundo dia, entendi levá-lo á clinica veterinária.
Foi avaliado, estava saudável, no entanto demasiado enfraquecido.
Tomou o nome de Maky.
A partir daí, passou a ser companheiro da Bonnie, com as devidas distâncias. Um animal com cerca de 30 kgs não podia propriamente brincar com outro que nem a 1 kg chegava.
Cresceu a olhos vistos. Foi cuidadosamente tratado.
Um dia, saiu pelo jardim até á rua. Encontrou um cão, que o maltratou muito.
Terá pensado :
- Então tu tratas-me mal ? Não brincas comigo ? Ao menos a Bonnie, é gigante e não me faz mal.

Felizmente alguns vizinhos que nessa altura estavam pela rua, impediram o pior.
Ainda esteve um mês em casa.

Até que um dia, foi capaz de saltar o muro, e nunca mais voltou.
Estará numa casa onde alguém o acarinha do mesmo modo que aqui foi recebido.

É no que acreditamos.
Pelo sim e pelo não, os seus pertences estão no mesmo sítio.

9 comments:

Anonymous Anónimo said...

História triste e tão terna a do Maky.
Um abraço

domingo, novembro 27, 2005 5:57:00 p.m.  
Blogger Lúcia said...

teve sorte a bichana, quando te encontrou. é curioso, a minha filha trouxe um gato para casa no sábado, que encontrou à porta. mas a confusão foi tanta com os 2 cães, que tivemos que o ir pôr no veterinário da zona, esperando que o dono apareça, já que tinha coleira e aspecto de muito bem tratado.

segunda-feira, novembro 28, 2005 12:36:00 p.m.  
Blogger andorinha said...

Gostei de ler sobre a Bonnie e o Maky. Adoro animais, dão-nos muitas vezes lições de vida.:)
Um abraço.

segunda-feira, novembro 28, 2005 7:11:00 p.m.  
Blogger SDF said...

Custa quando eles se vão embora, mas... eles ainda têm esse dom, o da liberdade, e só temos é de respeitar essa sua maravilhosa condição.

Um abraço

segunda-feira, novembro 28, 2005 10:42:00 p.m.  
Blogger Mitsou said...

Não preciso dizer que me encantou esta tua história, pois não? E o pormenor dos pertences guardados enterneceu-me pelo carinho e sensibilidade que o gesto revela. Quem sabe o Maky não volta, um dia? Mas mesmo que não volte, nunca se esquecerá de quem o salvou e acolheu com tanto afecto.
Um beijinho doce de quem gosta muito de gatos (e cães) :)*

terça-feira, novembro 29, 2005 12:13:00 a.m.  
Blogger Leonor C.. said...

Gostei da história e ainda mais de saber que tens um coração sensível. Que pena o Maky ter ido embora. Esperemos que esteja bem. Talvez optasse pela liberdade ou ,simplesmente, mudasse de dono.

Eu gosto muito de animais. São bons companheiros.

Um abraço

terça-feira, novembro 29, 2005 9:10:00 a.m.  
Blogger Maria said...

Que delícia esse gatinho!!!

terça-feira, novembro 29, 2005 6:13:00 p.m.  
Blogger ManuelaDLRamos said...

;-)

quinta-feira, dezembro 01, 2005 7:43:00 p.m.  
Blogger Raquel Vasconcelos said...

Muitas vezes ela abre a porta a medo... não vá fugir-lhe para a rua, a malandra. Depois recorda-se que não vale a pena ter medo e corta-lhe o coração ao meio...

quinta-feira, dezembro 08, 2005 12:05:00 a.m.  

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