Quebrar ...
Por vezes, muitas vezes, na nossa vida sentimos que é preciso algo mais forte para tirar o cinzento que teima em asfixiar os dias.Enfrentamos insegurança, e no lugar onde tínhamos ideias claras, certezas, surgem dúvidas.
Questionamos as escolhas ou os resultados que nos enchiam de orgulho, agora reduzidos a algo sem valor.
Relembramos caminhos. Os que não foram percorridos, e os que outros percorreram e pensamos que poderiam ser melhores que o nosso.
Relembramos os gestos sem incertezas, o convencimento de que fazíamos bem e que caminhava-mos firmemente nos objectivos traçados.
O súbito aparecimento de uma crise, uma bofetada que levamos na realidade, traz o conhecimento de vazio, de desorientação, de extravio.
É por isso, que perante a possível destruição, este acontecimento pode ser um “mal” necessário.
A oportunidade de olhar aquilo que fizemos e nos propomos fazer, através de outros pontos de vista, oferece novas realidades e a frescura de um recomeço.
O momento que se mostrou devastador, dá lugar à reconstrução.
E porque de novo nos sentimos leves, ingénuos e humildes, somos capazes de mudar.
Para melhor, porque é possível.
Encontrar um novo céu, azul, mais limpo. Apesar de tudo com nuvens, porque elas fazem parte da nossa vida. Tal como a chuva, o frio ou o vento. Teimosamente passamos o tempo a proclamar que apenas os dias ensolarados, quentes, serenos, fazem sentido.
Puro engano…
Etiquetas: dias;vida

9 comments:
sabes... este país é um caos...
"A luz intensíssima dos projectores na Praça do Comércio denuncia restos de seres humanos caídos pelo chão, por entre as arcadas. Sim, restos. Sobras da sociedade, envolvidas em cobertores velhos que já não cheiram a nada, de tanto que cheiram a tudo. Como lhes é possível dormir? Adormecem de cansaço, apatia? A mim, as luzes cegar-me-iam.
Observo-os de longe, deste lado do microscópio. Vejo neles a letargia de um país que já mal se reflecte no brilho dos olhares. Fujo. Mas no caminho que me leva ao terminal dos barcos mora o "meu" sem-abrigo. Já só faço conjecturas vendo-o ali adormecido entre caixotes de papelão. Que mais fará durante o dia para além de dar milho aos pombos que Lisboa preferia não ter? Que fará ele para além de arrastar os pertences numa velha saca de compras com rodas?"
Já tive tanto medo de um dia não querer ter um BI...
e a ao mesmo tempo... talvez pq estou quente e apenas as minhas mãos frias, sinto-me protegida aqui. Onde há água, alguma comida, n se morre como nas guerras que grassam por aí... e pergunto-me pq tive esse direito?
"Para melhor, porque é possível.
Encontrar um novo céu, azul, mais limpo. Apesar de tudo com nuvens, porque elas fazem parte da nossa vida. Tal como a chuva, o frio ou o vento. Teimosamente passamos o tempo a proclamar que apenas os dias ensolarados, quentes, serenos, fazem sentido.
Puro engano…"
É tão bom escrever sem bombas...
Um abraço, Luis Manuel.
Deixei uma msg lá no meio do Mar.
puro engano sim.
sao precisamente os dias cinzentos que nos fazem reflectir sobre o que fizemos e o que poderemos fazer em diante.
beijinhos
como é q se costuma dizer? fecha-se uma porta e abre-se uma janela? enfim ... há que procurar o lado positivo detudo, mesmo que à primeira vista não pareça muito claro.
Quanto aos dias cinzentos ... sabemos sempre que lá por cima há um sol que brilha!
Beijo grande amigo!
eu ando com os dias muito cinzentos a suspirar por dias claros e brilhantes. Até esse encontro, sobrevivo.
jinhos meus
isamar em
www.cronicasnofeminino.blogspot.com
os males que vem por bem ...
será?
ha tempos que nao te visitava, mas gostei ;)
Beijoca*
- esqueci de te dizer que esta imagem esta fascinante;)
Com o desafio que deixaste no Pópulo é impossível não escrever aqui qualquer coisa. Sabes que até passo por aqui mais do que parece. até dei por de vez em quando estares muito tempo sem escreveres...
Mas gosto muito da tua escrita, Luís Manuel.
E este belo texto é um exemplo disso.
Luis, meu caro, aquela 'provocação' no Pópulo tinha de ter resposta, está visto!
É que eu venho aqui muito. Não se nota mas venho! Sobretudo quando escreves à Emiéle ou à Saltapocinhas, onde vou mais, na volta passo por aqui a ver as vistas.
Mas infelizmente tu escreves muito bem mas muito pouco... Por isso a gente desabitua-se.
Mas vou ver se começo a escrever também por aqui. :)
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