Entrudo

O velho Entrudo
Desde há mais de 2500 anos que o homem se diverte, pelo menos uma vez ao ano, de um modo irreal e utópico. Era assim nas Saturnais romanas e nas manifestações gregas do século V A.C. E é assim, ainda, no Carnaval do nosso tempo. Do verdadeiro Entrudo, porém, já pouco resta. Ele tem sido substituído pela festa do Rio de Janeiro - mal imitada em vários pontos do Globo.
João Garcia (In "Jornal Expresso" de 21 de Fevereiro de 1998)
Ainda resistem em Portugal algumas celebrações do Entrudo que mantêm a sua singularidade, de acordo com as nossas tradições. Em Trás-os-Montes contam-se pelo menos três: Lazarim, Vinhais e Podence.
E sem dar conta vim até aqui conhecer muitas belezas da nossa cultura.
Que cada uma e cada um, se manifestem á sua maneira, de preferência sempre com alegria e diversão.
Os excessos ficam lá para terras de Santa Cruz…
Também por cá, só mesmo o “excesso” de roupa com que corajosamente alguém enfrenta o nosso frio de rachar.
Com os filhos pequenos era com gosto que colaborava nas máscaras, nas serpentinas a esvoaçar do carro.
Bastava sair á rua, dar um passeio até pelo lugares mais comuns. Sobretudo a minha filha divertia-se imenso. Já o rapaz largou cedo a folia.
E hoje em dia, já não procuro essas saídas, nem lugares onde aconteça uma festa ou um cortejo. Nunca me agarrei ao Carnaval.
Mas agarro-me á alegria de estar vivo, e poder parar para me divertir. Sempre que isso for possível. Desde Janeiro a Dezembro.
E reconheço essa possibilidade como uma bênção, uma excepção até perante um mundo tão pobre, até de espírito.
Por estes dias, a lembrança girou em torno de alguém que nos deixou uma imagem de vida grandiosa. E que respeitou muito as nossas culturas populares.
Para hoje, especialmente, também cabe a sua palavra cantada.

Ó entrudo Ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
as mocinhas ao solheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é qu'eu estou bem
Que no monte é qu'eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é qu'eu estou bem
Estas casas são caiadas
Estas casas são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira

9 comments:
Realmente o Carnaval não me diz nada. Ou antes, diz-me algo que eu não quero! que não estou interessada em participar. Mascarados andamos nós toda a vida. É um engano pensarmos q nos mascaramos nesta época! É precisamente o contrário. Enfim, deixemo-nos de filosofias ... Gostei particularmente da tua expressão "agarro-me à alegria de estar vivo" e saberes e aproveitares as oportunidades para te divertires. Reconhecer o quão importante é aproveitar a vida é uma característica que se acentua com a idade. Pelo menos essa é a noção que eu tenho. Cada vez mais dou valor ao tempo q cá estou, e em aproveitá-lo da melhor maneira possível.
Lembrares o Zeca foi óptimo. Anda tão esquecido!!! E foi já há 19 anos... parece q foi ontem! O tempo realmente é uma coisa mto relativa...
Beijos para ti (E desculpa o testamento outra vez :-))
Pena que se estejam a transformar os Entrudos mascarados em Carnavais denudados... Ideiais para climas como o nosso!
Talvez pq na criança uma fatiota diferente é irresistível...
Talvez pq no liceu o carnaval era celebrado de uma forma muito "mascarada" e sem se pregarem partidas aborrecidas e todos desfilávamos com uma alegria própria da juventude...
Talvez pq em adulta tenho o poder de dizer que quero brincar, ou ficar quieta...
Talvez pq uma "máscara" tenha por vezes alguma mística...
Talvez pq este ano nem dei pelo carnaval chegar...
talvez... por tudo isso, espero e gosto de imaginar que para o ano vou "brincar ao carnaval" com um sorriso diferente...
Bom pedaço de Entrudo...
Oi Luis, sabes que mais. Hoje, depois de ter lido o teu comentário no meu Blog tive de ir às compras. Ajudar o meu irmão, enfim, o que interessa aqui é que pensei no meu texto e no teu comentário a dado momento.
Andava eu de um lado para o outro à procura de comida e afins, quando vislumbrei dentro de um carrinho de compras, um puto vestido de ZEBRA. O fato era completo, até tinha a parte da cabeça e tudo. O que me fez rir e chamar a atenção do meu irmão foi a situação em si. O miudo estava cheio de sono e, tinha a cabeça enconstada ao carrinho, o que tornava a imagem numa coisa hilriante. Fui incapaz de me controlar, desatei a rir. Afinal, o Carnaval pode mesmo trazer ao de cima a boa disposição...ah independentemente do puto parecer ridiculo. :)
Fica bem
Oi Luis, sou eu outra vez!
Esqueci-me de te agradecer por teres colocado o " Alien's Corner" nos teus Links. Obrigada.
Fica bem e vai aparecendo lá :)
Concordo Luís, alegria e diversão é de Janeiro a Dezembro! Não há dia nem hora certa para um divertimento e loucura saudável! A diversão é imteporal! Diverte-te o melhor que poderes e bom Carnaval! Beijo mascarado.
também não acho grande piada ao carnaval, nem quando os meus filhos eram pequenos.
mas gosto de viver e do Zeca, que por acaso também é o nome do meu marido. só que ele não sabe meeesmo cantar.
Eu gosto da calma de casa, nestes dias... e de leituras amenas e música "tocada" baixinho...
... e gosto de ler-te...
Um abraço ;)
conheço esse entrudo bem perto da cidade onde nasci.
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